Musicoterapia: saúde e qualidade de vida
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Musicoterapia: saúde e qualidade de vida

A terapia como medicamento contra depressão e enfrentamento de problemas de vários tipos é o que mais se discute, atualmente, no que tange ao uso da música na medicina, na psicologia, na psiquiatria e em outras áreas distintas.

Quem canta seus males espanta. Já parou para pensar o quanto o provérbio é verdadeiro? Já parou para pensar o quanto a música está presente na vida de cada ser humano desde tempos remotos? Belas canções com linhas melódicas inesquecíveis fizeram, ao longo dos séculos, parte da história da humanidade, parte da história de um país, de uma geração, ou até mesmo, da sua história, caro leitor. Sempre há àquela canção que traz certa nostalgia ou uma estupenda sensação de felicidade. Outras nos invadem de paz e tranquilidade, e outras, ainda, resultam num verter de lágrimas pela emoção que causam.

Por meio da música, vivemos, pois ela traduz a expressão do corpo e da alma humanos, a dor, a angústia, a saudade, a alegria, o prazer, a satisfação,  a docilidade de um momento. Como a fotografia a música registra, cria marcos a partir da experiência e da representatividade sonora em cada um de nós.

Quem não se lembra da canção Imagine, de John Lennon, integrante dos Beatles? Letra que traduz um universo ideal e não real. E da música de Djavan, cuja letra narra a triste história de amor que acabou em tragédia: com a morte da namorada grávida: ´e foi assim que eu vi nosso amor na poeira, morto na beleza fria de Maria, e o meu jardim da vida, ressecou, morreu; do pé que brotou Maria nem Margarida nasceu.´ Música traduz a alma e isso é incontestável.

Por isso, a importância de ter sempre um profissional qualificado no domínio da terapia, pois dependendo de como é aplicada, a música pode trazer à tona momentos nada agradáveis.

A música, as ondas sonoras, trazem influências na vida do ser humano e pode fazer rir ou chorar. Estudos comprovam que a música pode salvar pessoas depressivas, introvertidas, tímidas e pudicas, ou com problemas mais graves. O neurologista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) Luiz Celso, 47, fala sobre os benefícios da música em diversos tratamentos neurológicos: ´a musicoterapia tem melhorado muito as condições de pacientes com deficiências cerebrais graves, assim como auxilia e melhora a condição de idosos com o Mal de Alzheimer, e de pacientes com derrame cujas sequelas limitam a fala e o movimento´, diz o médico.

Celso diz que não é possível receitar uma dose de Bach pela manhã, duas de jazz após as refeições, nem uma dose de Vivaldi antes de se deitar, mas ressalta que os avanços são muito positivos: ´os resultados são impressionantes, os pacientes apresentam melhora a curtíssimo prazo.´

Estudos da Federação de Musicoterapia do Brasil e internacional, como o World Federation of Music Therapy, apontam o quanto a musicoterapia apresenta resultados positivos também em crianças com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDA/H).

Segundo estudiosos no assunto, a musicoterapia, se aplicada em Escolas de Ensino Fundamental, pode transformar toda a História da Educação, Ensino e Aprendizagem, melhorando o desenvolvimento das crianças e diminuindo consideravelmente a falta de atenção, já a música possui poder restaurador. Estudos realizados pelos pesquisadores da UNIFESP em escolas do interior de São Paulo, com crianças com pouco ou muito déficit de atenção, apontou, em seis meses, um avanço importante na aprendizagem e no foco temático.

A Musicoterapia consiste em utilizar a música e os elementos que a compõe, como harmonia, ritmo e melodia, por um profissional qualificado, ou seja, um musicoterapeuta formado, com o objetivo de facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, o aprendizado, a mobilização, a expressão e a organização para a melhora e cura de problemas físicos, emocionais, sociais e cognitivos. A música devolve funções primárias tais como falar, compreender, focar, caminhar, movimentar, lembrar, reabilitar, avivar a memória e as emoções, para que o indivíduo adulto ou infantil possa ter qualidade de vida. Em outras palavras: saúde e felicidade.

Para que se alcancem bons resultados em curto prazo, o trabalho da musicoterapia pode ser aliado ao trabalho de psicólogos, neurologistas, psiquiatras e outros médicos, bem como fisioterapeutas, educadores, psicopedagogos e fonoaudiólogos, com a utilização dos sons para impulsionar o indivíduo ao movimento, à aprendizagem, e à reabilitação de funções perdidas, sejam elas emocionais ou não.

Um único paciente pode necessitar de muitos especialistas, mas cada caso é ímpar. Geralmente une-se fonoaudióloga e musicoterapeuta para problemas voltados à audição, por exemplo. Mas, há casos em que somente a musicoterapia isolada permite o alcanço de êxito nos tratamentos e/ou deficiências.

O uso da música como método terapêutico existe há muitos séculos, não à toa monges e budistas usam sons da natureza para meditação. As pesquisas incipientes vieram dos Estados Unidos (EUA), logo após a criação da primeira universidade de Musicoterapia, em 1944, a Michigan State University.

Os pacientes dos musicoterapeutas são geralmente autistas, pessoas com algum tipo de dificuldade física ou mental, gestantes, idosos, pacientes com sequelas de AVC e dificuldades emocionais. Nesses casos, os tratamentos podem ocorrer de duas formas: o musicoterapeuta toca música para o paciente ouvir; ou o próprio paciente toca os instrumentos e/ou canta.

A música conduz à dança (movimento) e, por consequência, causa a liberação de endorfina e serotonina. Todos os sentimentos e comportamentos apresentados pelos pacientes são metaforizados através do som musical, das notas mágicas que trazem ao indivíduo a vontade de viver e de interagir.

No entanto, é condição primordial e primária que todo musicoterapeuta seja antes um musicista e domine vários instrumentos.


Nanda Coelho



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