O jazz te faz ferver
créditos: Dollar Photo Club

O jazz te faz ferver

O jazz e o blues vêm da essência do canto dos escravos e, exatamente por essa herança, desperta tantos instintos ao mesmo tempo. O jazz nasceu de um povo cuja etnia emana liberdade. Há quem diga que tocar ou ouvir jazz é pura adrenalina. E não é diferente com Henri, massagista e saxofonista que, como de costume, toma café da manhã todos os dias na cafeteira central da cidade, e também, como de costume, troca olhares com a moça do caixa durante a refeição.


E assim começa o dia, com excitação matinal elevada ao quadrado ao olhar paras as pernas de Angélica, que morde os lábios de maneira sem graça, mas retribui, sempre retribui aos olhares de puro desejo do saxofonista. Mas naquela manhã de quinta-feira, para contrariar a rotina, Henri paga a conta e deixa junto com a gorjeta um bilhete com um endereço:  Rua Mércia, 524, apartamento 10,  às 18h.

Aquele dia não passou como todos os outros para a moça do caixa. Não! Aquelas horas arrastaram-se. Sofridas horas! Momentos em que Angélica perguntava-se em solilóquio: O que será que me espera?  No entanto, ao fim do expediente, com a noite querendo nascer, a menina tratou de se arrumar. Muito nervosa e trêmula, mas decidida em encontrá-lo no endereço que deixara com ela.

Já fazia um tempo que Angélica correspondia aos olhos de desejo de Henri, hipnóticos, sobre as pernas dela. Sentia um arrepio e uma vontade de se abandonar naqueles braços. Sem mais esperar, saiu da cafeteria - perfumada e maquiada. Um arrepio percorria toda a sua coluna vertebral, e as mãos começaram a suar, mas Angélica estava firme em seu propósito.

Ao chegar à rua Mércia, encontrou a porta semiaberta e a sala à meia luz. Entrou, fechou a porta e viu o rapaz de olhar perturbador. Ele a olhou e virou-se de costas. Nenhuma palavra foi dita. O clima esquenta e as mãos da moça suavam mais e mais. Tremia e controlava os arrepios do corpo, como curtos e leves choques elétricos, mas os olhos fitavam, sem pestanejar, o corpo bem desenhado de Henri. De repente, virou-se de lado tentando disfarçar a fascinação que o rapaz lhe causava. Do lado direito da estante, pôde notar que havia um CD com nome e foto do músico, segurando um saxofone. Respirou lenta e profundamente e, controlando a respiração, perguntou com voz rouca:

- Você toca? É músico? Gosta de jazz?

Eram muitas perguntas seguidas, mas, sem falar nada, ele pegou o CD e colocou-o para tocar. O som inebriante e sedutor do Ain’t no Sunshine, versão totalmente sensual, foi tomando conta do cenário. A música invadiu o ambiente e entrou nos poros dos jovens que estavam prontos para viver um abandono intenso. Virou-se e chegou bem perto, puxando as alças do vestido florido de Angélica, que não usava mais nada na parte superior. Então, abraçou-a levemente para soltar o fecho do vestido que deixou deslizar até os pés. Ouvia-se o entrar e sair do ar e, a cada segundo, uma respiração mais ofegante. Por um momento, a moça hesitou, e colocou as mãos sobre o tórax de Henri, a pele sedosa e jovem. Ao perceber que seria interrompido, ele disse:
     
- Vou apenas exercer minha profissão, sou massoterapeuta. Ao final você decide se iremos ou não além.

Então, pediu para ela deitar-se na cama e ficasse de costas. Preparou o óleo corporal de essência amadeirada e começou a acariciar seu pescoço e, à medida que a música ia ascendendo, o rapaz se excitava. Ofegante, foi descendo até a lombar da moça, acariciava e cheirava aquele corpo. Encostava o tórax nas costas dela em um sobe e desce delicioso. De súbito, ela se virou e o beijou.

Não havia mais controle naqueles corpos sobre a cama, o som da música penetrava nos dois, era uma multiplicidade de penetrações: a música, os corpos, o som do saxofone, a respiração, o suor que escorria tornando tudo quente. Possuída por um desejo voraz, incontrolável, e se deixava levar. Henri, que por sua vez apreciava a explosão de Angélica, disse:

- Gosto de mulheres decididas.

 A menina continuava a esfregar-se toda nele e, louca de desejo, terminou de despi-lo. Não disse uma única palavra, apenas vivia todo aquele tesão em chamas, em um vai e vem ininterrupto, ao som do solo do sax do jazzista. O músico a tomou nos braços, ele sabia que, entre eles, havia muito fogo. O jazz é fascinante, inebriante. O que fizeram e como fizeram não se sabe. Se quer saber o que rolou, escolha seu disco de jazz favorito, aperte o play e viva toda a sensualidade que a música proporciona!
 

 

Bella da Semana



Sobre o Bella Politica de Privacidade Política de Cancelamento Programa afiliados Área do parceiro Publicidade Imprensa Contato RSS