Reencontro rural

Reencontro rural

Três horas de estrada de terra. A imensidão de eucaliptos é linda, mas em determinado momento, parece que alguém está segurando o “crtl c crtl v” pra sempre, como se na verdade só houvesse uma fileira de eucaliptos entre dois espelhos. Que saco. Se não fosse pelo Jamiroquai no iPod e pela minha Land Rover, essa viagem valeria por todo um domingo de monotonia.

Eu adoro o campo, as paisagens; dá uma sensação de plenitude incrível... mas essa minha demanda hedonista me faz perder um pouco a paciência com tanta plenitude depois de cinco minutos. Não me é suficiente essa coisa da contemplação; de levar uma vida despretensiosa; de ordenhar a vaca de manhã (ainda se eu fosse zoofílica... mas a minha parte eu prefiro em dinheiro, thanks). A cidade te oferece coisas maiores e mais palpáveis (ui). Enfim, coisa pra curtir em um fim de semana e beijos, até ano que vem!

De qualquer forma, além de fazer um bom tempo que eu não me jogo pro mato, já faz mais de cinco anos desde a última vez que vi a Talita e o Gabriel, um casal de amigos que eram meus vizinhos na época da faculdade. Os dois cresceram juntos em uma cidadezinha agrícola no extremo oeste de Santa Catarina, namoravam desde a adolescência e casaram com 18 anos (ela com 19). Vieram ambos pra Floripa fazer Agronomia, porque o pai do Gabriel começou um negócio de plantio orgânico, que eles quiseram participar. Voltaram correndo pro campo, logo depois de se formar.

Esses dias, me mandaram um e-mail (surpresa 1: nunca pensei que fossem voltar a usar internet depois de voltar pro mato... tudo bem que é o mesmo Zipmail que usavam na faculdade, mas tá valendo) falando que haviam comprado um terreno só deles, e recém chegado de uma especialização em Agroecologia em Paris. Surpresa 2: que bafão!!! Eu prontamente marquei uma visita à nova casa deles... sempre tive curiosidade de saber como Talita e Gabriel voltariam de uma viagem pro exterior.

Certamente são meus amigos mais "rurais", e eu nem preciso dizer que eles amam o mato: Talita e Gabriel o são, praticamente. Pra mim, a amizade deles sempre representou justamente o que o campo representa: um refúgio de paz, de despretensão e até de inocência (how ironic), mas em doses homeopáticas. Uns fofos, super prestativos, tranquilos, simples... porém demasiado caretinhas e estáveis. Não fumavam, não bebiam, talvez mal trepassem. É claro que eu, na minha porra-louquice (ainda catalisada pelo contexto de faculdade), não tinha muitos pontos de interseção no universo de afinidades, mas sempre gostei muito da companhia dos dois, principalmente com o cafezinho que a Talita passava nos meus domingos de ressaca. Eu até tentava incluir eles em alguns programas, fazer com que eles saíssem, aproveitassem um pouco a cidade... as tentativas sempre foram desastrosas.

Eu também gostava de estar com os dois porque, verdade seja dita, são muito lindos. Cacete. Ela é uma polaca baixinha, de pele claríssima, olhos vítreos de tão azuis, sardenta, com aqueles traços virgens típicos de uma camponesa inocente e, ao mesmo tempo, com o corpo perfeito! Cintura digna de espartilho, peitos e bunda deliciosamente desproporcionais com o tamanho do corpo... ficava sempre aquele limbo entre a Lolita e a safada.

Já o Gabriel é um autêntico peão. Moreno, barba, sulcos rudes na pele, corpo forte e peludo que eu tinha o prazer quase constrangedor de ver nas circunstâncias em que ele me recebia sem camisa, quando eu precisava pedir qualquer saca-rolha emprestado. É daqueles que ambientam os desejos mais hardcore, e nem combinava que ele fosse tão careta... mas confesso que essa coisa pudica, meio cristã, meio capial sempre levou a minha imaginação longe... e que eu sempre tratei com o máximo de discrição. Eles não deviam nem trocar de posição, muito menos de parceira.

Quando acaba a selva de eucaliptos, logo se avista uma entrada de cascalho à esquerda, como a Talita já havia me descrito por e-mail. Chego então na porteira da fazenda, que está aberta, e ando aproximadamente mais um quilômetro. Após passar por umas plantações que eu imagino serem de milho, no meu parco conhecimento botânico, avisto de longe a casa. Lá está o Gabriel, na porta, sem camisa, de calça apertada, chapéu e par de botas... e mais gostoso do que nunca! Jamais pensei que pudesse ficar melhor, mas esses cinco anos o deixaram ainda mais masculino. Estaciono a Land Rover e já sou recebida com um abraço efusivo – eles sempre foram perigosamente doces. A casa é surpreendentemente descolada, toda em madeira, com vários pôsteres na parede, incluindo o do famoso cabaré francês Le Chat Noir, com aquele gatinho preto. Tudo bem diferente do apartamento da faculdade, só com fotos de família.

Saio com eles para uma volta pelo terreno. Bois, plantações de tomate e o barulho das galinhas da mini-granja se misturam com mais histórias de Paris. E, estranhamente, o sotaque caipira de ambos começa a se confundir com um discurso completamente novo. Por mais que eu imaginasse as mudanças que essa viagem poderia ter trazido, de fato ouvi histórias que incluíam algumas bebedeiras (!), eventuais baladas de música eletrônica (!!) e até o aluguel de um carro pra uma roadtrip pela França (!!!!).

A minha perplexidade é evidente... é como se Paris tivesse sido a válvula de escape pra liberar o potencial hedonista que eles sempre tiveram, e que a procedência rural só torna mais interessante, rústico e fetichista. Na porta do estábulo, enquanto contam de uma caminhada bêbada na Champs-Elysées, Talita deixa escapar – com o sotaque caipira que deixa tudo mais camponesamente inocente – "...e o Gabriel tava tão doidinho que, vê se pode, começou a...". Ela fica vermelha e hesita em continuar, a princípio. Com alguma insistência, eles me contam que transaram ali, na principal avenida de Paris, de madrugada, na parede do Mc Donald"s. Ainda segundo eles, foram vistos por um guarda de rua e saíram correndo. Molhei minha calcinha duas vezes: pelo tesão e pelo choque. Olha que eu mal conversava sobre maquiagem com a Talita...

Quando entramos no estábulo, ambos riem muito de ter me confessado a aventura. Mas eu não consigo mais disfarçar a tensão sexual. "Vocês mudaram muito", digo, meio rindo, meio nervosa. De repente a coisa começa a tomar o rumo que eu sempre idealizei, mas nunca achei que um dia fosse possível. Olho pra Talita com insegurança, mas visivelmente excitada, e ela ri. Aquele casal capial e careta de fato mudou. Ruborizo. O Gabriel pega no meu quadril por trás, certíssimo do que faz, enquanto a Talita, com um delicado beijo introdutório na minha testa, começa a lamber meus lábios. Fico com muito tesão, um tesão virgem... os dois me surpreenderam tanto que parecem muito mais experientes. Logo eu, que falava abertamente de todas as minhas experiências sexuais cheia de propriedade e know-how, como se eles nunca fossem sair do papai-e-mamãe. Toda essa confusão de identidades me fez sentir a pudica da circunstância. Que loucura, gente.

O Gabriel levanta meu vestido, abaixa a minha calcinha, inclina um pouco as minhas costas pra frente e cai de boca ali mesmo, no estábulo, ajoelhado na palha. Continuo beijando a boca doce da Talita, que também está de joelhos, e logo começa a lamber meus mamilos, cheia de iniciativa. A coisa vai ficando mais selvagem à medida que crescem os gemidos: se eu sempre esperei ouvir alguma coisa às madrugadas naquele apartamento ao lado, sem sucesso, dessa vez eu ouço um casal que urra de tesão a cada lambida, a cada esfregada.

Os gemidos do Gabriel são rústicos. Sem nenhuma delicadeza ou discrição, ele levanta e termina de me reclinar pra baixo: fico de quatro. Abre a calça de couro e me domina como se eu fosse mais um dos cavalos que nos assistem, com um controle digno de seu porte de macho. A Talita continua nos meus seios, pra depois ajudar com a língua bem ali onde o seu marido entra. Onde eles aprenderam essas coisas? Ou sempre souberam? Ele me bate de leve na bunda, enquanto ela aperta meu quadril. Gozo, rápido demais pra uma profissional.

Depois de um resto de tarde com mais sexo e conversas incríveis, pela primeira vez eu saio do campo querendo voltar.


Stephany



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